Cemitério de Agramonte. 1855-

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Em 1846, a necessidade de um cemitério que servisse a zona ocidental da cidade levou a Câmara Municipal do Porto a procurar um terreno para o efeito no Bairro de Cedofeita.
A situação tornou-se urgente devido à epidemia de cólera que grassou na cidade em 1855. Na reunião de Câmara de 17 de julho desse ano, o executivo escolhe o terreno da Quinta de Agramonte, da família Pinto e Sousa, para a edificação do novo cemitério. A planta do projeto foi aprovada no mês seguinte e, a 2 de setembro, tem lugar a bênção e abertura do novo cemitério.
Em 1869 procede-se à reorganização da planta do recinto de Agramonte estabelecendo-se um cemitério moderno. Inicia-se a concessão de jazigos e, em 1870, começa a construção de uma capela funerária. Este edifício, cujo risco é da autoria do engenheiro Gustavo Gonçalves e Sousa, foi decorado com pinturas de Silvestre Silvestri e embelezado com estuques e mármores de António Almeida e Costa. A capela foi benzida em 1874.
Em meados do século XIX, cada irmandade foi negociando com a Câmara Municipal do Porto a aquisição de secções privativas nos cemitérios municipais, tendo sido a Misericórdia do Porto a primeira a fazê-lo. Com a reestruturação do cemitério de Agramonte em 1869, as restantes ordens entenderam também ser este um bom local para estabelecerem os seus cemitérios privativos. Secções privativas das ordens terceiras do Carmo, de S. Francisco, Trindade, da Ordem do Terço e Caridade, da Confraria do Santíssimo Sacramento de Santo Ildefonso e dos cidadãos não católicos foram então instaladas.
Em 1886, a Câmara decide ampliar o cemitério, tendo adquirido para esse fim vários terrenos.
Várias famílias ilustres do Porto possuem aqui capelas tumulares com esculturas de reconhecidos artistas, como José Joaquim Teixeira Lopes e António Teixeira Lopes. No jazigo do Conde de Ferreira existe uma estátua deste filantropo, da autoria do escultor Soares dos Reis. Foi também neste cemitério que se erigiu o mausoléu em homenagem às vítimas do incêndio do Teatro Baquet.

  • Outras formas
    • Cemitério Ocidental
  • Tipo de entidade Coletividade

  • Código parcial CA
  • Data de existência desde 1855
  • Zona geográfica

    Porto (concelho, Portugal).

  • Funções, ocupações e actividades

    No século XIX, os cemitérios municipais tinham como função a conservação, reparação e serviço profano do recinto: ajardinamento, inventariação dos bens do cemitério, conservação do carro funerário e venda de terrenos para a edificação de jazigos, entre outras.
    Atualmente, aos cemitérios municipais compete fazer a gestão daqueles espaços, bem como zelar pela proteção e manutenção do património histórico-cultural neles erigido.

  • Enquadramento legal

    Decreto de 21 de setembro de 1835.

  • Língua
    Portuguese